Geração leitores de manchete

Geração leitores de manchete

Se pararmos para pensar um pouco sobre como estamos usando a internet, podemos identificar alguns costumes que passam despercebidos rotineiramente. Por mais que se tente negar, o clima de ódio, o acirramento das opiniões e a informação superficial são grandes exemplos disso. Longe de mim querer determinar o que é certo e errado, ou mesmo sugerir dicas milagrosas (e mirabolantes) de como fazer um bom uso da internet, a ideia aqui é apenas analisar alguns acontecimentos a luz do momento em que vivemos.

O fato é que mesmo com tanto conteúdo circulando, a tal superficialidade atingiu níveis inimagináveis. Um estudo recente mostrou que notícias falsas sobre a eleição nos EUA atingiram alcance maior do que as notícias reais e que isso teria influenciado diretamente na eleição de Donald Trump para presidente. Recentemente, uma pesquisa também mostrou que 40% das pessoas não conseguem detectar imagens manipuladas. O mercado de fake News, por exemplo, já movimenta bastante dinheiro no Brasil e no mundo. Tudo isso no contexto daquilo que alguns estudiosos estão chamando de tempo da “pós verdade”, expressão que refere-se a circunstâncias nas quais os fatos objetivos têm menos importância que as crenças pessoais.

Quando abrimos nossas timelines, por exemplo, tudo o que está lá é crível para nós. É como se existisse uma certificação de veracidade feita em milésimos de segundos que nos levam a acreditar e compartilhar um título, principalmente quando ele vem para reforçar as nossas crenças. É o que eu chamo de “geração de leitores de manchete”. Lemos o título, achamos que entendemos o que está sendo falado, acreditamos na veracidade (e portanto não julgamos necessário checar a informação) e logo em seguida compartilhamos. Tudo movido, claro, a uma necessidade constante de repercussão na internet, alimentando uma roda de superficialidade onde todo mundo curte e compartilha tudo, mas não sabe de nada.

O senso de oportunidade (e oportunismo) dos tais sites de fake news chega a impressionar, afinal, o que levaria alguém a criar um blog ou site com o único objetivo de produzir notícias falsas? O que há por trás disso tudo?

Para mim, nem tudo está perdido. Vejo até com uma certa naturalidade estes acontecimentos, haja vista que nunca se produziu tanto conteúdo e tanta informação como nos tempos atuais e, sendo assim, é verdade que há muito mais coisa ruim circulando, mas também há muita coisa boa sendo produzida e distribuída, graças a internet. Sei que não é fácil esperar apenas pelo bom senso, mas torço para que ele seja o ponto de equilíbrio entre o que se cria e o que se consome num futuro breve. Aliás, se você chegou até aqui e gostou do que leu, compartilhe também! ?

Por: Bruno Oliveira
Fonte: Administadores.com