Apesar da instabilidade econômica e política pela qual o Brasil atravessa, a população não deixou de lado a necessidade e o prazer de consumir. Essa afirmação é embasada na pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, que diz que o Índice de Confiança do Consumidor subiu 1,4 ponto em outubro, atingindo 83,7 pontos, maior nível desde maio de 2017 (84,2). Nesse contexto a Black Friday Brasil se aproxima e com expectativas e especulações diferenciadas por parte da indústria e, apesar da crise, as previsões de vendas são positivas: de acordo com a Ebit, empresa que acompanha dados sobre o comércio eletrônico nacional, o crescimento deve ser de 15% em relação à edição do ano passado.
De acordo com o especialista em Marketing e cientista político, Bruno Oliveira, a recuperação mais consistente da economia fez com que a confiança do consumidor retornasse ao nível anterior à crise política. “Ao observar os indicadores empresariais, no entanto, a confiança do consumidor ainda é baixa, o que sinaliza cautela diante dos níveis elevados de incerteza. Os resultados sugerem que a melhora do consumo nos últimos meses tem sido sustentada mais pela liberação de recursos do FGTS, queda dos juros e depreciação de bens duráveis que pelo otimismo do consumidor“, afirma Bruno Oliveira.
Um fato que vem preocupando os comerciantes é a proximidade do Black Friday com o Natal. Bruno Oliveira explica que parte dos lojistas pede a antecipação do evento para o mês de setembro, já no próximo ano, para não canibalizar as vendas de Natal — visto que boa parte dos consumidores aproveita o dia de promoções para garantir os presentes de fim de ano, justamente o momento mais importante para o comércio brasileiro.
Para se ter uma ideia dos impactos que essa ação causa no dia a dia dos consumidores, a Ebit realizou uma pesquisa em que 81% dos entrevistados disseram que pretendem consumir durante a Black Friday, sendo que 41% aproveitarão para antecipar as compras de Natal. Somente entre as compras online o aumento deve ser de 7,7%, pulando de R$ 2,92 milhões de faturamento para R$ 3,1 milhões. O valor médio gasto por cliente também deverá crescer 6,4%, totalizando R$ 695 por consumidor.
Fonte: Hilneth Correia